O Valor Psíquico do Tempo: Quando Confiamos em Quem Não Inspira Confiança

 


O Valor Psíquico do Tempo: Quando Confiamos em Quem Não Inspira Confiança

Há algo profundamente revelador na forma como usamos o nosso tempo.
Ele mostra, com precisão quase cirúrgica, onde estamos investindo a nossa energia vital — aquilo que, em psicanálise, chamamos de libido.

Freud definiu a libido como a força que move a vida: o impulso de desejar, criar, amar e se vincular.
Mas essa energia, quando mal direcionada, também pode nos aprisionar em relações e situações que drenam nossa vitalidade.

E é exatamente isso que acontece quando confiamos o nosso tempo a pessoas e contextos que não inspiram confiança — ou que, no fundo, nunca confiaram em nós.


Tempo e Energia Libidinal

O tempo não é apenas a passagem dos dias.
É o registro visível do nosso investimento psíquico.
Cada conversa, encontro, expectativa e espera é uma porção de libido depositada em um vínculo.

Quando essa confiança é recíproca, há troca e crescimento.
Mas quando não é, o tempo vira uma forma sutil de autossabotagem: o sujeito continua presente onde a alma já partiu.


O Falso Self e a Ilusão da Confiança

Winnicott nos ensina que, quando a criança cresce em um ambiente inseguro — onde não há acolhimento, previsibilidade ou cuidado autêntico —, ela cria uma defesa: o falso self.
Essa estrutura psíquica aprende a se adaptar para sobreviver.
Aprende a sorrir quando sente medo, a ceder quando quer fugir, a se manter em relações sem confiança porque o corpo aprendeu que o amor exige esforço e vigilância.

Na vida adulta, esse mesmo falso self conduz o sujeito de volta a ambientes de desconfiança.
Ele confunde tensão com vínculo, insegurança com intimidade.
E assim, o tempo — que deveria nutrir o que é vivo — passa a sustentar o que já está morto.


O Inconsciente e a Repetição

Freud chamou isso de compulsão à repetição: a tendência inconsciente de recriar o trauma, como se houvesse uma esperança secreta de finalmente repará-lo.
Mas a reparação verdadeira não acontece fora — ela acontece dentro, no momento em que o sujeito reconhece o padrão e decide retirar o investimento libidinal do que não sustenta confiança.

Esse é o início da liberdade psíquica:
quando o tempo volta a ser seu,
quando a energia antes drenada é recolhida,
e quando o amor próprio se torna o eixo da confiança.


Reconstruindo o Campo da Confiança

A confiança é o cimento do vínculo humano.
Sem ela, não há criação, apenas repetição.
Não há espontaneidade, apenas defesa.
E o tempo, que deveria ser espaço de florescimento, vira território de exaustão.

Recuperar o tempo é recuperar a libido do falso self.
É reinvestir a energia vital em vínculos que sustentem o self verdadeiro, aquele que pode amar sem medo, se expressar sem cálculo e permanecer sem perder a si mesmo.


Reflexão Final

Porque o tempo que você dedica é o espelho da sua alma:
onde ele é desperdiçado, a confiança se desfaz;
onde ele é honrado, a vida floresce.

Talvez este seja o momento de olhar com mais ternura para o que consome o seu tempo — e se perguntar:
"Em que relações eu continuo investindo, mesmo sentindo que não há confiança?"

Escreva nos comentários o que esse texto despertou em você.
Sua reflexão pode inspirar outras pessoas a também repensarem onde colocam sua energia e seu amor.

E se você sente que está preso a repetições, relações desgastantes ou ciclos de desconfiança,
saiba que é possível reconstruir o campo da confiança — começando por dentro.

Agende uma consulta terapêutica e dê o primeiro passo para recuperar seu tempo e sua energia vital.


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